Sucesso de Pabllo Vittar vai além do (esperado) engajamento com o público LGBT+ no Twitter

ATENÇÃO: Esse blog mudou de endereço. Leia atualizado aqui: http://datapeek.com.br/2017/08/02/sucesso-de-pabllo-vittar-vai-alem-do-esperado-engajamento-com-o-publico-lgbt-no-twitter/

 

Inaugurando esse blog – que pretende ser um repositório não só de pequenas análises de comportamento nas redes, mas também uma documentação de como realizar a coleta, tratamento e visualização de dados, além dos perrengues desse processo -, fiz um pequeno (ou não tão pequeno assim) recorte da movimentação de conversas em torno do Pabllo Vittar no Twitter, com a ideia de investigar os motivos que fizeram a mais popular drag queen do Brasil (segundo eu mesma :P) ganhar projeção dessa proporção – recentemente, Pabllo não só ultrapassou RuPaul em quantidade de seguidores no Instagram como tem ganhado, dia-a-dia, mais relevância dentro e fora das redes sociais: o clipe de Todo Dia, com Rico Dalasam, foi lançado há 5 meses e tem 27 milhões de views – seu outro hit, K.O., foi lançado há apenas 2 meses e já tem 29 milhões de views… seu novo clipe com Anitta, lançado há DOIS DIAS, já passa os 32 milhões de views.

Com isso em mente, me propus a analisar e identificar quem são as pessoas e comunidades que falam sobre Pabllo Vittar no Twitter. Minha primeira e óbvia impressão era a de que o público LGBT+ estaria alavancando as conversações sobre ele.

Entre os dias 11 e 18 de julho, coletei 52.234 menções ao artista, em uma semana sem grandes picos de notícias sobre ele. Coletei essas informações usando a TAGS – Twitter Archiving Google Sheet, uma ferramenta que permite que você configure e rode em uma planilha do Google uma coleta, continua ou não, de dados sobre um determinado tema.

Transformei esse arquivo em um dataframe no RStudio e, usando os pacotes GraphTweet e Igraph, pude transformar uma planilha .csv em um arquivo pronto para ser trabalhado com a metodologia de Social Network Analytics.

Tratei esses dados para que pudessem ser visualizados e o resultado foi esse:

pabllo

Usei o Gephi para formar um grafo de 45.765 arestas e 37.081 nós, e utilizei o algoritmo de modularidade para destacar 3 principais comunidades (ou clusters) que agruparam as conversas em torno de Pabllo nesse período.

Usei o layout Force-Atlas 2 com a intenção de agrupar essas informações visuais e centralizando no grafo os pontos que mais se relacionam entre si, e afastando para as bordas os nós com mais dispersão.

Destaquei o nome dos nós (ou atores) que receberam o maior número de menções aplicando um atributos de valor ao grau (degree) a fim de compreender, dentro de cada cluster, quais são os perfis responsáveis por aquecer e reverberar as conversas, que nesse caso são em grande parte RTs dos comentários feitos por eles.

Com isso, identifiquei que:

  • Um cluster principal, com perfis de grande ressonância movimentando conversas que misturam memes ou mensagens de cunho humorístico, e que de fato impactam de maneira mais próxima a comunidade LGBT+
  • Um cluster secundário e mais afastado do centro das conversações: fanbases de bandas sul-coreanas
  • Um cluster terciário que não destaca um ator em si, mas uma maneira de consumir o produto (música) na plataforma (no caso, Youtube)

 

A primeira e principal comunidade, em rosa, compõe 60% do conteúdo gerado e tem 3 atores em destaque: @valehomossexual, @humretardado e @chietacabeYo. O primeiro e mais significativo, de fato é um perfil influente no Twitter e trata da temática gay – é o principal perfil a citar Pabllo pelos seu trabalho como músico: o tweet mostra um vídeo antigo do cantor, o responsável por alçar Pabllo para sua carreira músical. No vídeo, Pabllo canta I Have Nothing, de Whitney Houston. O @valehomossexual tuíta o vídeo mostrando aos haters que o criticam por ser “somente” drag e não ter talento.

O perfil @humretardado aborda outro aspecto pelo qual Pabllo é frequentemente citado nas redes: sua maquiagem/montação. O perfil usa memes frequentemente e no tweet em questão mostra duas imagens do cantor, antes e depois da maquiagem e cabelo, e brinca com o fato de não saber como Pabllo faz sua própria maquiagem e ele, dono do perfil, não consegue sequer esconder uma espinha.

O terceiro e último ator foi o que, na verdade, começou a me surpreender e a destacar um outro tipo de comportamento em relação ao que é falado sobre Pabllo Vittar: o perfil @chietacabeYo é um perfil fã da ex-integrante do Fifth Harmony, Camila Cabello. O tweet faz uma brincadeira sobre as “pérolas” que o Brasil produziu (Nicole Bahls, Anitta, Nazaré Tedesco, Gretchen e, claro, Pabllo Vittar, associando a drag com outros “ícones” do alto escalão dos memes brasileiros) e, dessa forma, continua a se associar ao cluster principal porém, dessa vez, é curioso notar que Fifth Harmony e Camila Cabello são dois temas de presença muito forte no Twitter e que frequentemente alavancam aos trending topics qualquer outro assunto que não esteja relacionado à banda.

O segundo cluster, em verde, também é responsável por grande parte dos assuntos que bombam  na plataforma: cultura sul-coreana.
É, pois é.
Os principais atores dessa comunidade, @blackpinkbrasil, @jungdimple e @ArmyDiario são fanbases das bandas Black Pink e BTS. Aparentemente, Pabllo Vittar, via memes, caiu nas graças dos adolescentes. O perfil @blackpinkbrasil é o nó que recebeu mais entradas em seu cluster, e seu tweet mostra um vídeo de Pabllo ouvindo uma das músicas da banda no seu stories do Instagram.
Já @jungdimple e @ArmyDiario subiram um vídeo-montagem de coreografia da banda BTS com a nova música de Pabllo e Anitta, Sua Cara (que por sinal tem uma sincronia maravilhosa, hehe).

O terceiro cluster, menor e mais óbvio, concentra menções ao Youtube porque as pessoas tuítam que estão ouvindo/vendo/dando like nos clipes de Pabllo no Youtube, me fazendo pensar se o Spotify não anda sub-utilizando essa função e menosprezando o poder de compartilhamento em outras redes.

Por fim, essa primeira análise mostrou que, de alguma forma, drag queens, memes e bandas da Coreia do Sul tem tudo a ver. Ou não.

No próximo post vou detalhar como usei o TAGS, R e Gephi para coletar, tratar e visualizar dados.

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